domingo, 21 de outubro de 2012


Refletindo um pouco sobre o Funcionalismo!


Para a teoria funcionalista, a sociedade sempre prevalece sobre o individuo, dispondo as regras, normas, leis e costumes que assegurem essa perpetuação. Essas regras, leis independem do indivíduo e pairam acima de todos, formando uma consciência coletiva que dá o sentido de integração entre os membros da sociedade e são solidificados em instituições. Nesse sentido, o processo de socialização se dá por meio do qual as pessoas adquirem o conhecimento, normas, valores, ou seja, a cultura do grupo ao qual elas pertencem ou desejam pertencer. Os indivíduos, nesse processo, exercem papéis sociais que são apreendidos e demonstrados no cotidiano e variam de acordo com suas funções nas instituições. Para que haja a estabilidade social, as instituições utilizam-se do mecanismo de coerção social, estruturada através de uma cultura comum fortemente integrada. A educação tem nesse processo um papel muito importante, pois será ela a ensinar essas regras e normas já estipuladas antes do nascimento do indivíduo.
Na atualidade, esse pensamento funcionalista, não conseguiu se manter eficaz. Muitos se mostraram contestadores dessa forma de coesão e consenso estipulado pelas instituições. Essa normatização de funções,  não foram aceitas por todos, pois estariam gerando a desigualdade, uma vez que ela era normatizada por um grupo em particular: “homens brancos, anglo-saxões, e protestantes” e no caso do Brasil, pela modelo econômico-social da elite branca europeia. Portanto, a função positivista gerou mais instabilidade do que estabilidade social, uma vez que descartou a possibilidade de ascensão (já que teriam sua função específica e deveriam se curvar a ela) de grupos que não estariam caracterizados como os citados acima.
Fica no ar uma questão: Poderia as instituições na atualidade estar produzindo mais instabilidade do que estabilidade social?
De acordo com o pensamento funcionalista, a sociedade é dinâmica e está em um intenso ritmo de mudança atualmente, mas quaisquer que sejam essas mudanças, as instituições atuais tentam se reorganizar e a continuar a desempenhar o seu papel formador, coercitivo com o objetivo de gerar estabilidade. Existe uma preocupação nas instituições, através do papel educador em preservar a herança cultural, e em ajustar as motivações dos indivíduos às necessidades fundamentais da unidade social. Mas atualmente há um problema nessa teoria. A sociedade moderna é capitalista e industrial, formada em um modelo particular de dominação e constituída por desigualdades, onde uns geram uma acumulação de capital, e outros, que desenvolvem o trabalho se tornam excluídos dessa geração de riquezas. E na tentativa de gerar estabilidade, as instituições coagindo o individuo a exercer a função pelo qual foi estipulado (função essa já pré-determinada) gera a instabilidade.
Temos como resultado a desigualdade social e a noção de exclusão,  que resulta das vulnerabilidades decorrentes das transformações que se operam no mundo do trabalho, degradando as relações de trabalho e os sistemas de proteção correlatos, ou seja, da situação de crise da sociedade salarial. Noções como vulnerabilização, precarização, marginalização, pobreza, desemprego, são temas que sempre existiram, mas ficaram mais usuais nos dias de hoje. Lidar com essas instabilidades são os novos paradigmas da sociedade moderna. As desigualdades sociais crescentes e a luta dos movimentos contra ela, frente a um processo de globalização acelerado a partir do século XX formam a base para o surgimento de uma nova estabilidade social, uma vez que põem em cheque os direitos já garantidos.

Fonte:— 
DAVIS, Kingsley & MOORE, Wilbert E. Some Principles of Stratification. American Sociological Review, X, April 1945, 242-9.
PARSONS. T. O Sistema das Sociedades Modernas. Tradução de Dante Moreira Leite. São Paulo: Livraria Pioneira Editora, Disponível em Redefor - Usp 2012 1971.

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