Refletindo um pouco sobre o Funcionalismo!
Para a teoria funcionalista, a sociedade sempre prevalece sobre
o individuo, dispondo as regras, normas, leis e costumes que assegurem essa
perpetuação. Essas regras, leis independem do indivíduo e pairam acima de
todos, formando uma consciência
coletiva que dá o sentido de
integração entre os membros da sociedade e são solidificados em instituições.
Nesse sentido, o processo de socialização se dá por meio do qual as pessoas
adquirem o conhecimento, normas, valores, ou seja, a cultura do grupo ao qual
elas pertencem ou desejam pertencer. Os indivíduos, nesse processo, exercem
papéis sociais que são apreendidos e demonstrados no cotidiano e variam de
acordo com suas funções nas instituições. Para que haja a estabilidade social,
as instituições utilizam-se do mecanismo de coerção social, estruturada através
de uma cultura comum fortemente integrada. A educação tem nesse processo um
papel muito importante, pois será ela a ensinar essas regras e normas já
estipuladas antes do nascimento do indivíduo.
Na atualidade, esse pensamento
funcionalista, não conseguiu se manter eficaz. Muitos se mostraram
contestadores dessa forma de coesão e consenso estipulado pelas instituições.
Essa normatização de funções, não foram
aceitas por todos, pois estariam gerando a desigualdade, uma vez que ela era
normatizada por um grupo em particular: “homens brancos, anglo-saxões, e
protestantes” e no caso do Brasil, pela modelo econômico-social da elite branca
europeia. Portanto, a função positivista gerou mais instabilidade do que
estabilidade social, uma vez que descartou a possibilidade de ascensão (já que
teriam sua função específica e deveriam se curvar a ela) de grupos que não
estariam caracterizados como os citados acima.
Fica no ar uma questão: Poderia as instituições na atualidade
estar produzindo mais instabilidade do que estabilidade social?
De acordo com o pensamento
funcionalista, a sociedade é dinâmica e está em um intenso ritmo de mudança
atualmente, mas quaisquer que sejam essas mudanças, as instituições atuais
tentam se reorganizar e a continuar a desempenhar o seu papel formador,
coercitivo com o objetivo de gerar estabilidade. Existe uma preocupação nas
instituições, através do papel educador em preservar a herança cultural, e em ajustar as motivações dos indivíduos às
necessidades fundamentais da unidade social. Mas atualmente há um problema
nessa teoria. A sociedade moderna é capitalista e industrial, formada em um
modelo particular de dominação e constituída por desigualdades, onde uns geram
uma acumulação de capital, e outros, que desenvolvem o trabalho se tornam
excluídos dessa geração de riquezas. E na tentativa de gerar estabilidade, as
instituições coagindo o individuo a exercer a função pelo qual foi estipulado
(função essa já pré-determinada) gera a instabilidade.
Temos como resultado a
desigualdade social e a noção de exclusão, que resulta das vulnerabilidades decorrentes
das transformações que se operam no mundo do trabalho, degradando as relações
de trabalho e os sistemas de proteção correlatos, ou seja, da situação de crise
da sociedade salarial. Noções como vulnerabilização, precarização,
marginalização, pobreza, desemprego, são temas que sempre existiram, mas
ficaram mais usuais nos dias de hoje. Lidar com essas instabilidades são os
novos paradigmas da sociedade moderna. As desigualdades sociais crescentes e a
luta dos movimentos contra ela, frente a um processo de globalização acelerado
a partir do século XX formam a base para o surgimento de uma nova estabilidade
social, uma vez que põem em cheque os direitos já garantidos.
Fonte:
DAVIS, Kingsley & MOORE, Wilbert E. Some Principles of Stratification. American Sociological Review, X, April 1945, 242-9.
PARSONS. T. O Sistema das Sociedades Modernas. Tradução de Dante Moreira Leite. São Paulo: Livraria Pioneira Editora, Disponível em Redefor - Usp 2012 1971.
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